outubro de 2026
Lo Que Quisiéramos Recordar
Kristina Cordon

Lo Que Quisiéramos Recordar nasce entre a história colonial e a vida atual em Coyoacán, México. O colonialismo é um processo forçoso de renovação contínua e devir constante, motivado pela invasão e pela assimilação. Malintzin e Hernán Cortés formam uma parte central do nosso imaginário cultural histórico. Essas duas figuras representam a convergência do que hoje é a América Latina. Eles viveram juntos em Coyoacán, o que faz deste o lugar principal no qual nascem gerações de pessoas mestiças. Focando-me na vida e na lenda de Malintzin, ela se torna a musa que ata a história, a memória e o folclore. Uma mulher de origem Nahua, foi tradutora, mãe e sobrevivente.
Penso em Malintzin frequentemente. Caminhando pelas ruas de Coyoacán, me pergunto se seus pés tocaram as placas de pedra, vagando em seu vestido branco. Dirijo-me aonde dizem que ela viveu, mas sei que a casa foi construída 200 anos depois de sua morte. Às vezes escuto sua voz sentada em frente à igreja, quando o ar sopra por trás dos galhos das árvores. O que ela pensaria de como este entorno se parece agora? Ela se importaria? Sentiu-se mal compreendida? Passou a vida servindo a um homem que a utilizou para traduzir sua língua materna para a dele. Sua destreza e inteligência foram utilizadas como uma arma para a conquista. Seu corpo e sua alma presos num casamento de inconveniência para ela. Mas de plena conveniência para ele. Uma vez cumprido seu dever, facilitando a conquista, dando à luz a dois filhos, foi descartada. Substituída por uma aristocrata de tez branca e cabelo amarelo. Uma mulher que não conhecia nem se importava com sua língua, sua terra, nem seu sofrimento.
Explorando a herança coletiva que a mestiçagem nos deixou. As imagens desta série levam em conta a ficção que nos constrói e igualmente a memória que herdamos após cada geração. Busco esclarecer os signos visuais que sinalizam aos habitantes desta comunidade um sentido de pertencimento a ela. O véu e igualmente o luto contêm aspectos que moldam nossa identidade cultural. A qual está marcada pela violência que apagou a presença de muitas almas.
Imagens

Sobre artista
Kristina Cordon
Fotógrafa, (Guatemala, 1984) vivendo na cidade do México. Meu trabalho explora a história e a memória através da imagem, autorretrato, retrato colaborativo, colagem e processos alternativos. Apresentei duas imagens da série Alucinada Lucidez na X Biennale de Florença, 2015. Recebi Menção Honrosa com a imagem Acuerdo de Paz, no leilão SUMARTE, Museu de Arte de El Salvador, 2018. Duas imagens da série City of Gods (2020) foram selecionadas para exibição coletiva na Ovalo Galería, CDMX, 2021. Apresentei a série Memories in Blue na La Central Coffee Roasters, cidade da Guatemala, 2022. Recentemente exibi imagens da série Lo Que Quisiéramos Recordar no Totte Para Todos Café, CDMX, 2026. Matriculei-me em cursos na PCNW 2003-2007 em Seattle, WA. Graduada com um BFA do Cornish College of the Arts em 2012. Graduada do Online Documentary Practices and Visual Storytelling Program do ICP, NYC, 2025. Participarei de um Taller no Reminders Photography Stronghold, Tóquio, setembro de 2026.