Como se Fosse

por João Teodoro

Uma investigação visual sobre o trabalho doméstico no Brasil, a partir das experiências de minha avó e de tantas outras mulheres cujas histórias foram silenciadas. Minha avó veste o uniforme de sua prima, uma trabalhadora doméstica que passou a vida servindo uma família e faleceu pouco após sua aposentadoria. No quintal da casa onde minha família vive até hoje, convido minha avó a reviver esse papel, reconstruindo memórias e refletindo sobre a dura realidade dessas trabalhadoras. O Brasil ainda carrega cicatrizes de sua história escravocrata, refletidas no trabalho doméstico. Centenas de mulheres foram resgatadas de condições análogas à escravidão, muitas delas vivendo décadas sem salário, sem direitos, sem vida própria. O aumento das denúncias e resgates revela uma realidade brutal, encoberta dentro das casas brasileiras. Mulheres negras, muitas vezes analfabetas ou sem acesso a informações sobre seus direitos, encontram-se presas a dinâmicas de exploração que normalizam jornadas exaustivas, isolamento social e a perda da própria identidade. Ao reconstruir essa narrativa através da performance de minha avó, este trabalho fotográfico busca provocar uma reflexão sobre o passado e o presente do trabalho doméstico no Brasil e como essas histórias moldam nossa sociedade. Neste trabalho reúno a história da minha família com dados que são disponibilizados no site do Ministério Público do Trabalho brasileiro criando uma narrativa visual que conta a história da luta por liberdade de uma doméstica.

Imagens

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