Territorio Líquido

por Alejandro Contreras

A série parte da acepção de dois conceitos que vale a pena mencionar: por um lado, o de “território” e, por outro, o de “modernidade líquida”. O território é uma extensão de terra, zona ou área possuída por uma pessoa física ou jurídica, como uma organização, uma instituição ou o Estado. Sob a perspectiva da geossemântica social, entende-se por território a união de um sentido ou significado com um lugar determinado, cuja definição é validada por uma comunidade. Segundo Zygmunt Bauman, a modernidade líquida é uma figura da mudança e da transitoriedade — uma sociedade incerta e imprevisível, de caráter transitório e volátil em suas relações. Nosso território é o espaço onde se materializam as práticas sociais, onde as pessoas realizam seus rituais, onde a natureza se encontra com os seres humanos. Uma dinâmica que conserva a paisagem, mas também destrói — uma relação mutável entre espaço e tempo. Uma paisagem que já não é natural, mas que conserva o mesmo valor que o campo e o urbano, ambos capitalizados por seu valor imobiliário. Objeto de desejo do capitalismo, que busca explorar ao máximo seus recursos e, quando não rendem, abandona-os, deixando-os destruídos, contaminados e inabitáveis. Dessa forma, o território se torna a representação da sociedade em transformação — atravessado pelas relações de poder e por tudo o que isso implica (apropriado, expropriado, ocupado, produzido, consumido, descartado, destruído, ressignificado).

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