Comuna da Terra
por Karina Iliescu
No Brasil, onde a terra é rica e fértil, o acesso à terra para quem a cultiva, de maneira ancestral, é quase inexistente. Os agricultores familiares são sistematicamente substituídos por maquinas e expulsos de suas terras, enquanto grandes empresas tomam posse. Forçados a abandonar onde vivem e tudo o que conhecem, aqueles que semeavam e colhiam se veem obrigados a migrar para os centros urbanos, em busca de uma vida que lhes é negada no campo. Quando resistem, enfrentam a violência, as vezes a morte, muitas vezes a barbárie. Em 2002, um antigo terreno da Sabesp em Perus, que seria transformado em um lixão, foi ocupado por trabalhadores do campo, junto a uma freira chamada Irmã Alberta. A Comuna da Terra Irmã Alberta, localizada em São Paulo, é a ocupação mais antiga do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) no Brasil. É a “mãe de todas”, um símbolo de resistência e de um sonho coletivo pela terra e pela dignidade. No coração desse assentamento vivem famílias que cultivam alimentos essenciais como mandioca, abacate e uva, desafiando as dificuldades e reafirmando a importância da luta pela terra.